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por Claudefranklin Monteiro

 

            O ano de 2017 foi marcado por três grandes efemérides envolvendo o Cristianismo. Os católicos celebraram o Centenário da Aparição de Nossa Senhora, em Fátima, Portugal (1917), como também o Tricentenário de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil (1717). Os Protestantes, genericamente assim chamados, rememoram os 500 anos da Reforma Protestante.

            Dois personagens unem as três efemérides: a mãe de Jesus, a Virgem Maria, e Martinho Lutero. Este último foi monge, professor e teólogo, amante da Igreja Católica e, por isso mesmo, ávido por mudanças profundas e significativas em sua estrutura. Algumas delas, alcançadas ao longo do tempo e absorvidas até mesmo pelos católicos, como a evangelização no idioma nativo.

            Para entender um de nossos personagens, Martinho Lutero, é preciso situá-lo em seu tempo. Idade Média, onde a questão da salvação era uma máxima, capaz de tocar o terror nas pessoas e seu medo de queimar no inferno. A representação de Deus era a de um julgador implacável, pronto a condenar ou salvar as almas.

            O Papa Leão X era a personificação daquele tempo, às voltas com a polêmica questão da venda das indulgências, perdão absoluto dos pecados, ingresso para o céu, sem passar pelo purgatório. Sacudida de mal-entendidos e de corrupção moral, a Igreja Católica impunha verdades longe da essência das palavras do Cristo.

            Assim, a origem do Protestantismo está na indignação de Lutero em relação à cobrança de bens materiais em troca da salvação eterna. O movimento papal ganhou ares mercantis. Isto, resultou na publicação das 95 teses, no dia 31 de outubro de 1517. O episódio foi suficiente para que Martinho fosse excomungado pela Igreja. Um apelo moral foi reduzido à desobediência e à rebeldia.

            O que poucas pessoas ressaltam é que Martinho Lutero manteve seu amor por Nossa Senhora até o final de sua vida. Jamais Lutero admitiria como correto para parte do seguimento protestante atual o desprezo pela mãe de Jesus, quiçá um intolerante chutando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em rede nacional e se vangloriando da sandice.

            Escrita em 1522, portanto após a excomunhão de Lutero, Magnificat – O Louvor de Maria, é uma ode à Nossa Senhora. Trata-se de um livro dirigido ao Duque João Frederico, da Saxônia. Este, pediu a Lutero orientação para bem governar. Na introdução do opúsculo, Lutero exalta a humildade de Maria e a força do Espírito Santo sobre ela: “(…) o Espirito Santo lhe ensina este rico conhecimento e sabedoria; que Deus é um Senhor que não faz outra coisa do que exaltar o que é humilde”. Lutero reconhece que Maria é mãe de Deus. Palavras dele: “(…) a doce mãe de Deus”. E por tabela, mãe da humanidade, que não possuía pecado original, que era livre de todo pecado desde a sua concepção. Entre outros elementos que ainda persistem no cerne da Mariologia.

            Que pena que o pivô de um cisma inevitável tenha sido endemonizado pelos católicos, histórica e teologicamente. Isto não permitiu perceber nele algumas peculiaridades, como o amor incondicional a Nossa Senhora e, assim, contornar algumas das muitas feridas e fissuras abertas do Cristianismo.

Fonte: http://www.lagartonoticias.com.br

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