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“Ví então um novo céu, e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Então, ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia: ‘Esta é a morada de Deus-com-os-homens. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus-com-eles será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas antigas passaram’. Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que faço novas todas as coisas’. Depois ele me disse: ‘Escreve, pois estas palavras são dignas de fé e verdadeiras’”. (Ap 21, 1; 3-5).

 

 

Meus caríssimos leitores e leitoras, peregrinos como eu rumo à Pátria definitiva. Saúdo a todos no início desta nova etapa de nossa jornada, desejando-lhes que o ano de 2018 transcorra nutrido pelas copiosas bênçãos do Pai misericordioso, na intimidade do Filho muito amado e sob a inspiração do Espírito Santo!

 

Introdução. Para começar, algumas perguntas que poderiam ser intrigantes. Por exemplo: por que uma citação do livro do Apocalipse, se estamos começando um novo ano? Ou, que relação poderíamos encontrar entre a esperança de um tempo novo e as desilusões, os desacertos, os desvios ou os descaminhos da humanidade durante o ano que passou? Ou, ainda: no contexto de uma sociedade “líquida”[1], isto é, onde estão ausentes até os valores fundamentais da pessoa, da cultura e da própria religião , será ainda possível pensar em valores referentes à própria dignidade humana? E mais: no caso dos seguidores de Jesus, como, assumir pela fé o caminho de Jesus em tais momentos históricos: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (cf Jo 14,6)?

 

Em alguns breves pontos alimentados pelo texto acima do Apocalipse de São João, aqui vai uma proposta de reflexão sobre o ano que está tendo seu início.

 

1. Por que o Apocalipse? Apocalipse, expressão grega, significa revelação. Uma revelação de difícil interpretação, tão distantes vivemos dos tempos em que foi escrito, das circunstâncias persecutórias em que viviam as primeiras comunidades cristãs alentadas unicamente, pela esperança de uma próxima segunda vinda de Jesus. O apóstolo João Evangelista, exilado na ilha de Patmos, vivendo na pele as agruras da perseguição, mas, sempre alimentando aquela esperança no Senhor Jesus que viria em breve, escreve no livro do Apocalipse as últimas revelações de Deus no Novo Testamento. Depois dessas, todas as demais supostas “revelações” ou “aparições”, sejam quais e de quem forem (sobretudo, se não levarem ao essencial que é Jesus misericordioso), permanecem sujeitas ao discernimento humano do magistério eclesiástico iluminado pela divina Sabedoria.

 

2. O Apocalipse e o passado na história e na Igreja.

 

2.1. O passado na história. Olhamos para trás: para os horizontes da humanidade; para os acontecimentos planetários, territoriais, nacionais, sociais, religiosos e, também, pessoais. Voltamos os olhos e tentamos recordar alguns fatos de nossa vida no ano que se foi. Fatos que nos trouxeram alegrias ou que provocaram, quem sabe, um mar de lágrimas de tristeza e de precupação... Agora, tudo passou: “Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe...”. Por outro lado, podemos concordar que não é tão simples “deixar passar”, deixar cair no esquecimento ou como que passar uma borracha sobre acontecimentos, ainda que uma coisa seja o tempo, outra o espaço. Mas, sem dúvida, hão de ter deixado saudosos rastros as muitas coisas boas, os acontecimentos agradáveis, as alegrias de um encontro, uma doença superada, a feliz convivência familiar, a volta de um ente querido e as esperanças de uma nova humanidade, esperanças essas nutridas pela fé daqueles e daquelas que optaram por seguir o caminho de Jesus!

 

2.1. O passado na Igreja, Povo de Deus. Ao rever a caminhada do Povo de Deus durante o ano que se foi, podemos concluir que muito se avançou no anúncio e na vivência do Reino de Deus. Apesar de todos os obstáculos, sejam, os naturais, sejam os forjados pela injustiça, pela malicia, pelo ódio, pela rejeição ou, pior, pela indiferença de muitos, continuamos nessa missão confiada por Jesus à sua Igreja. Mais numa vez nos convencemos da imensidão da messe e da precariedade dos poucos operários. Mas, a graça de Deus e, com certeza, a assistência e a força do Espírito Santo, nos ajudaram a palmilhar, com alegria e determinação, o caminho de Jesus. Ainda mais, fomos animados pelo testemunho do nosso Pastor, o papa Francisco que, apesar de todas as incompreensões e, até, maliciosas críticas internas de alguns membros da Igreja, enfrenta corajosamente os desafios de uma Nova Evangelização e de uma Igreja “em saída”!

 

3. O Apocalípse no início de um novo tempo para a Igreja. E o Apocalipse agora, ao iniciarmos um tempo no tempo da Igreja de Jesus? Claro, segue sendo a permanente revelação apocalíptica do Reino de Deus para os novos tempos. Revelação contida na Boa Notícia do Evangelho e alimentada pelas Cartas dos Apóstolos, pelos Sacramentos e pela Tradição viva da Igreja. Iluminados por essa Luz, poderemos estar constantemente abertos ao novo; dispostos a rever continuamente os rumos no caminho de Jesus, certos de que Ele continua nos afirmando: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da Vida” (Jo 8,12). Não posso deixar de lembrar algumas palavras do Papa na EG (A Alegria do Evangelho): “Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual. Na realidade, toda ação evangelizadora autêntica é sempre “nova”.

 

São orientações sábias que nos enchem de esperança e de alegria, características de quem, fortalecido pela Palavra, ouve até com emoção e, por isso, aí vão acentuadas e sublinhadas: “Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas antigas passaram’. Aquele que está sentado no trono disse: ‘Eis que faço novas todas as coisas’”.

 

Sugestão para uma reflexão pessoal e/ou do seu grupo: a) como cristão consciente e responsável, seus projetos para o novo ano levam em conta que critérios? Que valores? Os do consumo, da conta bancária, dos bens perecíveis? Ou dos votos superficiais da publicidade: “...muito dinheiro no bolso e saúde prá dar e vender”?; b) você ou seu grupo, participantes de movimentos eclesiais, por exemplo do Movimento de Cursilhos, que compromiso pensam em assumir neste ano dedicado pela Igreja no Brasil ao Leigo e à Leiga? Ou continuamos a olhar para dentro, somente para nossas reuniões, entoando nossos cantos jubilosos e despedindo-nos com aquele cafezinho até a próxima reunião enquanto o mundo e o ambiente que nos cercam estão morrendo de fome de Deus?

 

Concluo, sob o olhar materno de Nossa Senhora de Guadalupe, Patrona da América Latina, renovando meus votos de um fecundo ano de 2018 e invocando sobre cada um e cada uma de vocês, meus amados, uma das mais sugestivas bênçãos de Deus dadas pelo sacerdote no final de algumas missas do tempo do Advento: “Que durante esta vida Ele vos torne firmes na FÉ, alegres na ESPERANÇA, solícitos na CARIDADE”...

 

Com carinho, abraço fraterno do amigo, irmão e servidor no Senhor Jesus,

 

Pe.José Gilberto BERALDO

Equipe Sacerdotal do GEN

(Grupo Executivo Nacional MCC do Brasil)

 



[1] Do sociólogo polonês Zygmund BAUMAN

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