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“Mas os leigos são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e ativa naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da terra.” (LG 33)

 

Caríssimos irmãos e irmãs, companheiros de jornada na proclamação da Boa Notícia do Reino, com todos vocês estejam a paz e alegria anunciadas e vividas por nosso Senhor Jesus Cristo:

 

Introdução.  A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – proclamou o ano de 2018 como o Ano do Laicato, Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14. Nasce essa proposta não só da oportunidade, mas, sobretudo, da urgente necessidade da Igreja no Brasil como da Igreja de todo o mundo, de lembrar a verdadeira missão dos leigos e leigas. Aliás, não é de agora que a CNBB elabora e publica documentos e orientações pastorais enfatizando o lugar e a missão do laicato no anúncio da Boa Notícia do Evangelho nas realidades sociais e nos ambientes em que está naturalmente presente. Entretanto, apesar dessa insistência, tem-se a impressão de que o papa Paulo VI na sua Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi “Sobre a Evangelização no Mundo Contemporâneo”, publicada em dezembro de 1975, soa como “a voz que clama no deserto”... Por isso, mais uma vez, para lhes facilitar o acesso, ouso transcrever, sob pena de ser repetitivo – mas querendo afirmar que esta carta dispensaria outras ulteriores considerações sobre o novo documento da CNBB e insistindo junto aos meus caros leitores e leitoras – o parágrafo 70 daquela preciosa Exortação:

 

“Os leigos, a quem a sua vocação específica coloca no meio do mundo e à frente de tarefas as mais variadas na ordem temporal, devem também eles, através disso mesmo, atuar uma singular forma de evangelização. A sua primeira e imediata tarefa não é a instituição e o desenvolvimento da comunidade eclesial, esse é o papel específico dos Pastores, mas sim, o pôr em prática todas as possibilidades cristãs e evangélicas escondidas, mas já presentes e operantes, nas coisas do mundo. O campo próprio da sua atividade evangelizadora é o mesmo mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos "mass media" e, ainda, outras realidades abertas para a evangelização, como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento. Quanto mais leigos houver impregnados do Evangelho, responsáveis em relação a tais realidades e comprometidos claramente nas mesmas, competentes para as promover e conscientes de que é necessário fazer desabrochar a sua capacidade cristã muitas vezes escondida e asfixiada, tanto mais essas realidades, sem nada perder ou sacrificar do próprio coeficiente humano, mas patenteando uma dimensão transcendente para o além, não raro desconhecida, se virão a encontrar ao serviço da edificação do reino de Deus e, por conseguinte, da salvação em Jesus Cristo” (EN 70)..

 

1. Antes do Concílio Vaticano II (1961-1965).  Passadas as sangrentas perseguições aos cristãos dos primeiros dois séculos depois de Jesus, Constantino Magno (302 DC), convertido ao cristianismo por influência de sua mãe Helena, pelo Édito de Milão, declara não só a liberdade religiosa como o Cristianismo a religião oficial do Império Romano. Nasce, então, a “Cristandade”, isto é, uma Igreja unida ao Estado em que este tem domínio sobre aquela. Não é pretensão resumir, neste breve espaço, as consequências disso, tanto para a posição da hierarquia eclesiástica como para o laicato. Consequências essas que, passadas pelo Concílio de Trento (1545-1563), perduraram, praticamente, até o Concílio Vaticano II (1962-1965) e que podem, de certa forma, ser sintetizadas na afirmação do Papa S. Pio X, em sua Encíclica “Vehementer nos” de fevereiro de 1906: “Daí resulta que essa Igreja é por essência uma sociedade desigual, isto é, uma sociedade que abrange duas categorias de pessoas, os Pastores e o rebanho, os que ocupam uma posição nos diferentes graus da hierarquia, e a multidão dos fiéis. E essas categorias são tão distintas entre si, que só no corpo pastoral residem o direito e autoridade necessária para promover e dirigir todos os membros ao fim da sociedade; quanto à multidão, essa não tem outro dever senão o de se deixar conduzir e, rebanho dócil, seguir os seus Pastores” (n° 22). Nada mais a acrescentar sobre o que tal declaração significou e, infelizmente, ainda significa para muitos fieis católicos, para padres e até bispos, o laicato na Igreja...

 

2. Uma nova brisa sopra na Igreja. Somado aos mais atuais documentos do magistério eclesiástico sobre a vocação e missão do leigo e da leiga na missão evangelizadora da Igreja, a presente convocação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é parte relevante dessa nova brisa que sopra na Igreja. As orientações pastorais e o extraordinário testemunho pessoal do papa Francisco vêm iluminando o nosso seguimento no caminho de Jesus no presente e no futuro. Inspiradas são as referências feitas insistentemente por ele ao “clericalismo”... Aqui não posso deixar de lembrar a sua profética Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, A Alegria do Evangelho, que é um novo e promissor horizonte mostrado pelo papa para uma Nova Evangelização.

 

3. O “Ano do Laicato” e os Movimentos eclesiais na Igreja do Brasil. Chegou a hora decisiva para todos os Movimentos da Igreja: assumirem o compromisso concreto de uma “Igreja em saída”, vivendo seu carisma através de seus métodos, seus planos, sua concretização. Basta de teorias e de projetos visando tão somente à expansão do seu próprio “movimento”! Basta de reuniões que servem apenas, em muitos casos, para marcar outra reunião! Ou para organizar um suculento almoço ou jantar ou, pior, para “tomar um cafezinho”! Sobretudo num mundo de anonimato ou de indiferença, devemos reconhecer que tudo isso é necessário para estreitar amizades, multiplicar informações e iniciativas evangelizadoras. Mas jamais em detrimento da concretização do seu carisma. Ao lembrar o Movimento de Cursilhos, é oportuno enfatizar o seu carisma contido nas palavras que o definem desde 1968: ... “criando núcleos de cristãos que fermentem de evangelho os seus ambientes”! Precisa-se mais? Aliás, concluo com um apelo do Documento 62 da CNBB, em seu n° 121: “...Devemos continuar o nosso esforço de estimular a formação de comunidades menores ou de grupos, que facilitem um relacionamento direto e pessoal... Porém, grupos ou comunidades ambientais (trabalhadores de uma empresa, profissionais da saúde, professores...) podem constituir válida experiência eclesial e contribuir para a transformação das estruturas sociais”.

 

Traduzindo em miúdos: se o MCC não trabalha para concretizar o seu carisma – suscitar “pequenas comunidades de fé para fermentar (ser sal, fermento e luz...) de Evangelho (justiça, perdão, solidariedade, abertura para o outro, etc.) os ambientes (familiar, profissional, social)” conviria ou repensar a sua definição ou esperar pelo seu desaparecimento do cenário eclesial! E que não se confunda a finalidade última do MCC – acima descrita – com “fazer reuniões” nos ambientes de trabalho! As reuniões em geral e por prudência, feitas fora dos ambientes são para VER e JULGAR, precisamente para que, no ambiente, seja possível AGIR! Fundamental é o NÚCLEO de pessoas – não importando a crença de cada um - com os mesmos ideais evangélicos de justiça, solidariedade, perdão, etc.. Ou seja, com os mesmos valores do Reino de Deus!

 

Concluo: meus irmãos e irmãs, peregrinos que caminhamos juntos na tarefa de anunciar o Reino, de ser Sal, Luz e Fermento, LEIGOS e LEIGAS do Povo de Deus, discípulos missionários de Jesus, vamos todos a “outros lugares, nas aldeias das redondezas, a fim de que lá também, eu proclame a Boa Nova, pois foi para isto que eu saí” (Mc 1, 38). “Outros lugares e aldeias da redondeza” lá onde, hoje, se encontram nossas famílias, nosso trabalho, nosso círculo de relações, nossas amizades e nossas inimizades, nossas virtudes e, também, nossos pecados! Enfim, é o mundo que nos espera para que a Boa Notícia chegue a todos!

 

E que Maria, a primeira leiga do Reino de Deus, abra seus braços para acolher e acompanhar vocês aí pelas “aldeias”! Com meu carinhoso abraço, esperando que possam rezar integralmente a belíssima Oração a Maria composta pelo Papa São João Paulo II no final da Christifideles Laici, permitam-me oferecer-lhes dela apenas uma das invocações: “Virgem corajosa, inspira-nos força de ânimo e confiança em Deus, para que saibamos vencer todos os obstáculos que encontramos no cumprimento da nossa missão. Ensina-nos a tratar as realidades do mundo com vivo sentido de responsabilidade cristã e na alegre esperança da vinda do Reino de Deus, dos novos céus e da nova terra”!

 

Pe. José Gilberto BERALDO

Equipe Sacerdotal do GEN

 

MCC do Brasil

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